quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O nome de Jesus e a vergonha nacional

Mais um escândalo evangélico. Bom era o tempo quando o evangelho escandalizava. Hoje, pseudo-portadores da mensagem de Cristo se incumbem dessa tarefa. Ninguém está isento de envergonhar o nome de Cristo, é verdade, já que nessa vida erros são tão inevitáveis quanto acertos. Agora, maligna e descaradamente usar o nome do Nazareno para adquirir bençãos do alto é falta de vergonha na cara! Pior do que isso, é um atestado de ignorância!
Eu estaria rindo, não fosse trágica a situação. A ignorância desses lobos em pele de cordeiro é tão grande que eles acham que o nome de Jesus funciona como um amuleto mágico capaz de atrair o favor do Criador. É verdade; eles jogam o caráter pro alto, invocam o nome de Cristo e acham que um "em nome de Jesus; amém!" cobre a podridão de suas intenções.
Ignorantes! Não há outra palavra. Ignoram o verdadeiro sentido das Escrituras. Não conseguem compreendê-la, visto que para tal é necessário nascer de novo. Invocam um Cristo que não conhecem e, pior, que a despeito de tê-los criado, nunca os conheceu. Oram em nome do mesmo barJesus repreendido pelos apóstolos. Servem às trevas, mesmo citando o nome da Luz.
Em se tratando do evangelho, por estes homens eu não sinto vergonha; nenhuma. Não há porque; não representam o povo do qual faço parte. Tenho vergonha como cidadão da nação que representam. Isso me entristece. Porque o Cristo que eu sirvo, eles nunca representaram; mas do Brasil onde meu coraçao vive, lamentavelmente, eles carregam o nome. E isso dói.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O vale da morte e o lugar da vida

Eu me espantei quando o vi pela primeira vez. Não acreditava no que me diziam acerca dele. Viver entre os sepulcros nunca me pareceu razoável - a menos que você esteja morto. Pra ele, contudo, aquilo parecia não fazer diferença. Não arrisquei chegar perto. Na verdade, permaneci em um lugar fora do alcance de sua visão. Não queria mesmo que acontecesse comigo o que acontecera com alguns de meus amigos. Ele havia feito daquele vale a sua casa, e quem quer que passasse por ali era agredido brutalmente.
Algo me dizia que com o Nazareno as coisas seriam diferentes. E, pra minha sorte, ele resolveu visitar o Gadareno bem naquele dia. Me lembro, como se fosse hoje, da hora em que ele desceu o vale na direção do lugar dos mortos. Pela distância, não pude ver o olhar do Gadareno quando ele avistou o Mestre. Mas meu coração disparou quando o vi correndo em sua direção. Eu realmente acreditava que com ele tudo seria diferente, mas aquela corrida me assustou.
Cheguei a virar o rosto; não queria vê-lo apanhar descontroladamente. Já esperava os gritos de socorro, quando o silêncio me inquietou. Virando, deparei-me com uma das cenas mais bonitas que meus olhos puderam contemplar: prostrado, aquele homem adorava o filho do Deus altíssimo. Suas palavras duras condiziam com o poder das trevas que o oprimiam. Suas lágrimas, porém, não deixavam esconder seu desejo de ser liberto. Era sua chance de voltar a viver dignamente. Era a oportunidade de abandonar o vale da morte e encontrar o lugar da vida.
Como num piscar de olhos, tudo pareceu mudar. Ainda era o mesmo homem, mas completamente diferente. Percebi que ele insistiu para que o Nazareno o deixasse segui-lo. Este, contudo, disse algo apontando para a cidade. Acho que o mandou voltar pro lugar de onde antes saíra, a fim de testemunhar sua transformação. Afinal de contas, por que outra razão estamos aqui, senão para anunciar que deixamos o vale da morte e encontramos o lugar da vida?

sábado, 28 de novembro de 2009

Sobre viver fora

Como se aprende vivendo fora! É uma experiência impagável. A troca de culturas, a necessidade de superação e os desafiso impostos diariamente fazem de qualquer jornada uma grande aventura. É verdade! Quando você sai é que percebe que viver na pátria amada acaba por provocar em nós uma sensação de segurança que se perde quando vive fora. Como crianças que, seguras na presença dos pais, percebem-se vulneráveis ao descobrir que caminham com suas próprias pernas, assim são cidadãos fora de sua pátria.
Mas isso não é ruim. Pelo contrário, amplia nosso mundo. Nunca pensei, por exemplo, que fosse, num estádio de rugbi, ficar arrepiado ao gritar com a multidão "Scotland! Scotland!". É claro que meu coração é brasileiro, mas viver fora tem dessas coisas. Te faz pensar que um pedaço de você, por menor que seja, já faz parte da nova terra. Sou estranho numa terra que não é minha. Mas sinto que um pedaço de mim já pertence a ela. Isso só por viver fora.