quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sobre a dor alheia

A dor alheia, por vezes, anestesia a nossa. Sádica ou não, essa afirmação é real. Em um mundo egocêntrico, os homens são levados a enxergarem seus problemas como os maiores e mais urgentes. Um simples olhar para a realidade que nos cerca, entretanto, nos faria perceber como há situações mais insustentáveis do que as nossas. O convite à coletividade, portanto, torna-se central para a existência humana. Se olhássemos reciprocamente para as crises que nos são externas, deixaríamos de correr o risco do isolamento; viveríamos melhor. Foi a proposta de Cristo; ainda que não seja a nossa. Vale a pena pensar nela; nem que seja por pouco tempo; até que nosso umbigo requeira nossa atenção novamente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Marcha para ou com Jesus?

Nada há, em tese, que me faça desgostar de eventos como a "Marcha para Jesus". Qualquer manifestação em prol de uma causa justa é válida. Acontece que, ano após ano, a passeata mencionada parece perder-se naquele que deveria ser seu foco. Posso estar errado em minha leitura, mas parece-me que muitos, dos milhões que marcham, o fazem em prol de seus líderes, mais do que em prol de qualquer outra coisa.
Consequentemente, isso suscita outra questão? Será que, de fato, o mais importante é marchar para Jesus. Qual o propósito de marchar para ele? Se a questão é fazer seu nome conhecido, a melhor forma de fazê-lo é marchando com ele.
Lendo os noticiários, surpreenderam-me as reportagens sobre intolerância dos manifestantes contra algumas minorias que - também cristãs - protestavam contra a abusiva conotação capitalista que julgavam nortear a marcha. Um líder, inclusive, do alto de seu carro de som, incentivava os manifestantes a rasgarem algumas faixas de outros que, no meio da multidão, clamavam pelo retorno ao cristianismo puro e simples e o fim do show (nesta última palavra, no lugar do "o" havia o desenho de uma moeda).
Com estes e tantos outros desdobramentos, o que supostamente deveria representar o céu, acabou ganhando conotação de inferno aos olhos de muitos que ali estavam. Reafirmo, com isso, o que acima registrei: Entre marchar para e com Jesus, fico com a segunda opção. O barulho de um dia marchando por ele não se sustenta diante da força de uma longa e árdua caminhada ao seu lado.

sábado, 31 de outubro de 2009

Reformando a Reforma

"Igreja Reformada; sempre reformando". Esse é um dos grandes lemas do segmento cristão que teve sua origem na Reforma Protestante. A Proposta de Martinho Lutero, ao anexar as 95 teses na porta da catedral de Wittenberg, não foi a de promover um movimento estanque; tampouco teve, o monge, a intenção de apenas reconstruir os laços da igreja de seus dias com o Cristianismo do primeiro século.

Lutero, bem como os demais reformadores, pretendiam construir, também, uma relação com o futuro. Como? Deixando às vindouras gerações uma demonstração da possibilidade e necessidade de mudanças constantes na igreja de Cristo.

O tão elogiado trabalho dos reformadores perde sua relevância, caso fique marcado apenas como um fato histórico do século dezesseis. A Reforma é, na verdade, um estímulo à mudanças constantes. Repensar a história é a função da igreja. Uma igreja verdadeiramente Reformada se contextualiza, repensa suas tradições, quebra paradigmas, e constrói sua história à luz do século em que vive.

Cômico, não fosse trágico, os que mais se orgulham da Reforma acabam por transformá-la em um paradigma intransponível. Parece que vivem com o lema "igreja reformada permanece na Reforma". Mostram, com isso, desconhecer o propósito dos que tanto lutaram no século XVI.

Como uma igreja reformada, precisamos encarar a proposta da Reforma como uma atividade ininterrupta, até que Cristo volte. As mudanças precisam ser constantes, pautadas pela coerência, conveniência e fidelidade às Escrituras. Gratos pelo passado, precisamos mudar o presente, construindo pontes que nos façam caminhar no futuro. Esse é o único jeito de sermos uma igreja reformada; sempre nos reformando.


Ps: Pra quem desconhece a Reforma Protestante, abaixo segue o vídeo tosco mais informativo sobre o assunto (em sua versão Mary Poppins). rs. Enjoy it!
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